Imagem Fotográfica, Cultura e Sociedade




Itamar de Morais NOBRE
Vânia de Vasconcelos GICO
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN
Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, Natal, RN 


Reflete-se, a partir de uma visão transdisciplinar do conhecimento, a interrelação imagem fotográfica-cultura-sociedade. Tem-se como objetivo discutir a religação teoria-prática da investigação na práxis do pensamento humano ao rejuntar métodos, estratégias de ação e o cenário da pesquisa. Concebe-se a fotografia como interface dessa relação e a cultura como repositório e fonte propulsora das idéias na concepção da imagem fotográfica, influenciando o fotógrafo pelos códigos culturais, costumes, relações sociais e idéias dominantes. Observa-se que ele poderá reproduzir o que apreendeu como conhecimento e visão de mundo na fotografia, assumindo a responsabilidade de diferenciar a sua percepção sobre o que observa. Conclui-se que tal direção leva a imagem fotográfica a ser vista como mapa dos espaços, ações e interpretações culturais, o que a caracteriza como imagem sociocultural.
 
PALAVRAS-CHAVE:
Imagem fotográfica. Cultura e fotografia. Códigos culturais. Cultura e Sociedade.
 
 
1 A CULTURA E O CONHECIMENTO SOCIOCULTURAL DA IMAGEM FOTOGRAFIA
 

Os códigos culturais, criados socialmente, configuram-se nas relações da comunicação articuladas no âmbito da convivência dos diversos povos ao longo dos tempos, e enquanto conjunto de signos das relações humanas pode ser visto como a fonte e o meio para a obtenção e disseminação do conhecimento social, como pensa Santaella (1996).
Assim os saberes, as ações e os hábitos e costumes enquanto códigos culturais têmseus significados atribuídos e são disseminados como representações do processo de conhecimento social. Desse modo vão sendo assimilados como mediadores para a comunicação, ocorrendo nos espaços-tempos, a partir das peculiaridades de cada sociedade e de cada período histórico.
 
Ao tornar-se um conhecedor dos signos que o cerca, o ser humano torna-se um conhecedor do seu mundo e de si mesmo, visto que os códigos culturais configuram-se em elementos constituintes de narrativas, descritoras do espaço de convivência e de relações. A fotografia enquanto um signo, e a cultura enquanto repositório do conhecimento social promoverá e divulgará a imagem fotográfica, compreendendo-a como construção de olhares reveladores da cultura, sendo aquela representação e referência para o reconhecimento desta.
A presença constante do elemento sígnico no repositório cultural do ser humano faz com que esse elemento seja inserido como informação nesse meio e nas suas ações cotidianas. Quando tais ações são retratadas na fotografia, esta pode ser vista como um mapa recortado e miniaturizado (NOBRE, 2005), expositor dos espaços, dos seres, dos objetos, dos cenários, das ações e das diversas interpretações, com a característica de um documento social.
 Assim sendo, a cultura é entendida por Vergani (1995, p. 23) como um sistema de comportamentos e de valores, adquiridos hereditária e tradicionalmente, no meio social, “que não só são produtos da ação humana, mas que condicionam o desencadear de novas atividades sociais sujeitas a processos de seleção ao longo da história”.
Nesse círculo específico, imagem fotográfica-sociedade, refletem-se de forma singular, por  apresentarem com caráter indicial e notadamente estático, o fragmento espaçotemporal de uma cultura. Concebe-se assim que o fragmento apreendido jamais será captado isento das concepções de quem o capta, pois o  operator (BARTHES, 2005, p.20) sempre o imprinting cultural da dinâmica social, embora ressalvem-se os desvios e as brechas componentes da autonomia do pesquisador, pois “ toda descoberta de uma limitação abre, paradoxalmente, uma nova via ao conhecimento” (MORIN, 1992p.166). Por sua vez e embora nos oferecendo margem para acreditar que algo de novo pode surgir depois que a imagem fotográfica é capturada, mesmo que o fotógrafo intencione realizar outra fotografia da mesma maneira, utilizando o mesmo ângulo, o mesmo nível e o mesmo espaço geográfico, o momento não será mais o mesmo, consequentemente o fragmento captado guardará suas especificidades.
No campo da circulação e geração do conhecimento visual imagem fotográficacultura-sociedade, visualiza-se o movimento cíclico alimentador e retroalimentador da cultura, contendo a fotografia um refletor do que pensa o operator. Nesse documento visual, estão contidas partes das informações culturais, captadas pelo seu autor, mas em um movimento hologramático podem representar o itinerário de pensamento de quem as capturou e do mundo das idéias da cultura dominante.
 
Leia o artigo completo em:



Comentários